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Temos um sentimento profundo de esperança na luta dos povos e na construção da unidade internacional

Venezuela indestrutível

Fecha de publicación: 30 septiembre, 2017

Compartilho com vocês um artigo que escrevi para o Brasil de Fato depois de ser desafiada pela querida jornalista Fania (nossa correspondente na Venezuela).
Meu objetivo era contar um pouco da Jornada #TodosSomosVenezuela, que participei na semana passada em Caracas. O resultado está aí, um pouco de diário, um pouco de análise e de desafios. Feito com muito amor por essa Venezuela Bolivariana Indestrutível e amor pela nossa militância popular brasileira, cada dia mais internacionalista!

No dia 16 de setembro se iniciou, em Caracas, a “Jornada Somos todos Venezuela: Diálogos pela paz, pela Soberania e pela Democracia Bolivariana”. A iniciativa conta com a presença de cerca de 200 delegados internacionais – vindos de mais de 60 países de cinco continentes diferentes – que viajaram até a capital venezuelana para demonstrar o seu respaldo à Revolução Bolivariana que, na atual conjuntura, não é outra coisa senão defender o governo legítimo de Nicolás Maduro e a Assembleia Nacional Constituinte, ambos eleitos pelo voto popular de uma ampla maioria dos eleitores venezuelanos.

O chamado foi divulgado em um manifesto publicado no dia 25 de agosto e assinado por um conjunto de atores sociais e políticos internacionais e venezuelanos. O documento faz uma alerta aos recentes ataques internacionais ao Governo Venezuelano, especialmente os protagonizados pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que incluem sanções econômicas e ameaças de realizar uma intervenção militar no país, além de trazer à tona as tentativas golpistas e ações violentas da oposição ao governo no país.

A Jornada teve inicio no Teatro Tereza Carreño, com um auditório de 2,4 mil lugares completamente lotado. A diversidade de bandeiras, de idiomas e de culturas, somados à peculiar agitação dos militantes venezuelanos, geravam um energia contagiante, que tomava conta de todos os presentes, enchendo nossos corações de esperança e de convicção de que a Venezuela não está só, e que o exemplo de luta e de resistência de seu povo tem eco em todas as regiões do planeta. Por isso, todos repetiram inúmeras vezes, e a uma só voz, “Somos Todos Venezuela!”.

Com esta energia partimos para trabalhos em grupo, nos quais discutimos uma Declaração Política e um Plano de Ação de Solidariedade com a Venezuela. Em cada discussão se mesclavam os delegados internacionais com os nacionais, sendo que ademais de discutir ações concretas em nossos países, tivemos a oportunidade de ouvir diversos relatos e testemunhos de venezuelanas e venezuelanos, e através deles entender melhor o que está acontecendo na Venezuela.

Nestes diálogos surgiam as grandes questões enfrentadas pelo povo venezuelano em seu dia a dia. A principal delas diz respeito à crise econômica que vive o país. Esta se relaciona diretamente com a crise internacional, que persiste desde 2008, e as consequentes quedas dos preços do petróleo, em um país que ainda é extremamente dependente da renda petroleira.

Somado à isso, assistimos a uma verdadeira guerra econômica, praticada por agentes internos e externos ao país com o único intuito de desestabilizar e derrubar o atual governo. Esta guerra passa pelo crescente boicote das empresas importadoras de produtos básicos e também de medicamentos, que somados aos embargos econômicos impostos pelos EUA, à guerra financeira e à ação de grupos criminosos de contrabando, agravam ainda mais a situação da população.

Ainda sim, nós estrangeiros, também testemunhamos aqui a busca do governo para driblar esta ofensiva com diversas políticas econômicas e sociais, como o aumento recente do salário mínimo em 40%, entre outras, que junto a vontade popular de resistir à crise, têm fortalecido a luta e a unidade popular para manter as conquistas sociais destes 19 anos de bolivarianismo.

Outra questão recorrente nos diálogos é sobre as marchas e protestos violentos da oposição, já que os que viemos de outros países presenciamos diaria e repetidamente os grandes meios de comunicação mostrando imagens e discursos, contando mortos e feridos, o quê nos dá a falsa impressão de que o país está a beira de uma guerra civil e que uma intervenção estrangeira será inevitável.

No entanto, ao chegarmos ao Aeroporto Internacional de Maiquetía e subirmos a serra que nos leva a Caracas, nos deparamos com uma “estranha normalidade”. Fica evidente que o país definitivamente não está à beira de uma guerra civil. Em Caracas, vemos as pessoas transitando pelas ruas, os comércios e prédios públicos funcionando, as crianças indo à escola e um trânsito infernal comum às grandes cidades do mundo.

Sabemos também que os protestos opositores arrefeceram desde a vitória na eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), realizada no dia 30 de Julho, boicotada pela oposição e, que teve a participação de 8 milhões de eleitores. No entanto, mesmo quando os protestos opositores eram semanais, entre os meses de Abril e Julho, tinham um caráter muito pontual e focalizado em bairros específicos da Gran Caracas e alguns municípios no interior do país.

Ao final destes protestos é que se realizavam as ações violentas de caráter fascista, protagonizadas por pequenos grupos de mercenários (pagos para fechar vias, incendiar prédios e atentar contra cidadãos comuns e contra as forças policiais) e que deixaram mais de 100 mortos no país. Os relatos mais assustadores são os dos crimes de ódio contra chavistas (ou supostos chavistas) – como os 29 queimados vivos, dos quais 9 vieram a falecer -, que nos trazem as mais terríveis lembranças dos tempos de nazi-fascismo e das ditaduras militares em nosso continente.

Apesar disso, eu que estive em Caracas em Maio deste ano e agora novamente em setembro, em ambas as vezes fui testemunha desta mesma normalidade do cotidiano de uma grande cidade, e este contraste entre o que vemos aqui e o que vemos na grande mídia brasileira é no mínimo intrigante. Este sentimento é compartilhado por uma ampla parcela dos delegados internacionais aqui presentes, e através dele entendemos cada dia mais como funciona e quais são as conseqüências desta criminosa Guerra Midiática praticada contra o povo venezuelano e seu governo, e articulada internacionalmente.

Tudo isso em um só dia de Jornada! Pois bem, partimos para o segundo dia de trabalho, que começou com a subida ao Monte Avila, que fica há 2300m de altitude e que era chamado de Wararaipano pelos habitantes originários deste vale em que cresceu Caracas. Subimos todos pelo Sistema teleférico, que foi reconstruído por Chavez em seus primeiros anos de Governo, e no alto do morro desembarcamos e pudemos ver, de um lado toda a Gran Caracas e de outro o mar e a baía conhecida como Guaira.

Foi neste local, que encontramos o Presidente Nicolás Maduro, durante a transmissão ao vivo de seu programa semanal de televisão “Domingos con Maduro”, que nesta ocasião também teve a presença do presidente da Bolívia, Evo Morales. Seguindo a tradição dos longos discursos dos tempos de Chávez, passamos quatro horas no programa estabelecendo diálogos diversos entre os representantes internacionais com ambos os presidentes, assistindo à apresentações musicais e acompanhados da audiência de milhares de venezuelanos.

Dentre os diversos temas tratados aí, o que chama mais a atenção são os avanços recentes dos Diálogos de Paz, entre o governo e oposição venezuelana. Desde a impressionaste votação obtida na ANC e com a confirmação da realização de eleições para governadores ainda em 2017, as marchas opositoras foram perdendo força paulatinamente e suas forças dirigentes voltaram a abrir-se ao diálogo (que já tinha sido proposto pelo governos inúmeras vezes). Mas somente recentemente, no último dia 15, recebemos a feliz noticia de que a Mesa de Diálogo entre Governo e oposição deu passos importantes com a intermediação do Governo da República Dominicana e do ex-presidente da Espanha.

Como resultado destas conversas se anunciou a realização de uma nova reunião no próximo dia 27, na República Dominicana, que contará com o acompanhamento de outros quatro governos da região (Chile, Mexico, Bolívia e Nicaragua). Esta é uma vitória a ser celebrada não somente pelos venezuelanos, mas por todos os povos que buscam a paz e reivindicam o direito inegociável da soberania e da auto-determinação.

A Jornada Somos Todos Venezuela seguiu durante o dia 19 com uma grande Marcha Anti-imperialista junto ao povo venezuelano e seus dirigentes, demonstração da força social e popular da Revolução Bolivariana, que nada mais é que este profundo processo de mudanças profundas que vive a Venezuela desde a eleição de Hugo Chávez em 1998 e que segue seu curso com a eleição do Presidente Nicolás Maduro, em 2013, e com a recente eleição de uma nova Assembleia Nacional Constituinte, presidida pela ex-chanceler Delcy Rodriguez.

Saímos do país com muitos desafios e propostas de ações, que se resumem em nos assumirmos como militantes internacionalistas, e fazermos desta identidade nossa ação cotidiana na articulação de todas as forças populares, políticas, artistas, intelectuais, jornalistas, religiosos e todos e todas que lutam por paz, por soberania, por auto-determinação e por democracia. E não temos dúvida de que hoje defender estas bandeiras é defender também a Revolução Bolivariana na Venezuela.

No Plano de Ação colocaremos esforços especiais na Jornada Mundial de Mobilizações “Somos Todos Venezuela”, na qual realizaremos ações de rua em diversas cidades nos cinco continentes durante a semana de 5 a 8 de outubro, no marco dos 50 anos do martírio de Che Guevara.

Ademais devemos seguir atentos aos diálogos com a oposição e à toda e qualquer ameaça contra o direito do povo venezuelano decidir seu próprio destino, exercício de democracia bolivariana que se repetirá nas próximas eleições no dia 15 de outubro, em que participarão representantes de todos os partidos da oposição.

Nestes poucos e intensos dias de trabalho em Caracas vivemos ricos intercâmbios que nos ensinaram um pouquinho mais deste bravo povo venezuelano e de sua revolução, compartilhamos momentos em diferentes idiomas, com uma linda diversidade de culturas, assistimos a belos discursos e a lindas apresentações culturais. Tudo isso nos deixa cada vez mais convictos de que o internacionalismo, a unidade, a solidariedade e a integração são necessidades dos povos em luta no mundo, e que somente articulados em torno de uma mesmo projeto teremos forças para enfrentar o principal inimigo da humanidade, o Imperialismo.

Levaremos estas lições conosco na volta aos nossos países e temos o compromisso de compartilhar elas com o máximo de pessoas possíveis, mas além de lições levaremos um sentimento profundo de esperança na luta dos povos e na construção da unidade internacional, que nos recarregam as energias para seguir em luta até a vitória!

Última modificación: 30 de septiembre de 2017 a las 14:57
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