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Água: bem comum ou negócio para poucos?

Reflexões no Dia Mundial da Água

Fecha de publicación: 2 mayo, 2012

Atualmente, são necessários 1.500 litros de água para gerar um quilo de grãos e dez vezes essa quantidade para produzir um quilo de carne: “para cada quilo de carne, são necessários 15 mil litros de água”, afirma a FAO, por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Água em Santiago do Chile, 22 de março de 2012.

No ultimo dia 22 de março de 2012 a FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) com apoio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) no Brasil, também reuniu ambientalistas, autoridades e especialistas para discutir o tema: Água e Segurança Alimentar, em comemoração ao dia Mundial da Água no país. Este ano, o tema reforça a importância da água para a produção alimentar. Segundo a FAO, para produzir alimentos suficientes para satisfazer as necessidades diárias de uma pessoa são necessários cerca de 3 mil litros de água. A agricultura utiliza 70% de toda a água disponível, comparado a 20% para a indústria e 10% para uso doméstico, afirma Alan Bojanic, representante regional da FAO para América Latina e Caribe.

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. Nesta data também foi divulgado um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água” que apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água. Contudo, é notado que estes direitos são completamente desrespeitados e a utilização da água segue o curso de desperdício e, para muitos, de recurso inalcançável. A Organização das Nações Unidas prevê que, em 2050, 2 bilhões de pessoas sofrerão com a escassez de recursos hídricos.

A América Latina é uma região rica em recursos hídricos: recebe quase 30% da precipitação mundial e possui uma quantidade de água por habitante muito acima da média do planeta: 28 mil metros cúbicos por habitante ao ano. A distribuição da água na região, no entanto, é muito desigual e sua disponibilidade está sujeita a grandes pressões. A crescente escassez de água em algumas regiões exige uma melhora da eficiência de seu uso para a produção de alimentos, por meio da implementação de técnicas para melhorar a irrigação e manter a umidade dos solos, a retenção e o armazenamento da água.

Neste contexto, inúmeras são as resistências e formas de lutas pela água em toda a América Latina e ocorrem, com frequência, cada vez maiores e em diversas regiões. Esses eventos acontecem entre as lutas sociais ligadas à proteção dos ecossistemas aquáticos e aquelas orientadas para a defesa dos direitos dos seres humanos à quantidades essenciais de água e de serviços relacionados à água. Muitos são os atores sociais engajados nas lutas pela água e tendem a exprimir interesses materiais, crenças, valores, princípios e objetivos distintos. Esses movimentos se opõem à privatização da água, além de assumirem uma posição crítica em relação às políticas que implicam a construção de infraestruturas de serviços de água de grande porte, as quais, com frequência, têm impactos negativos, tanto nos sistemas aquáticos quanto na população.

Representantes de organizações da América, África, Ásia/ Oceania e Europa apontam as empresas transnacionais, as instituições financeiras internacionais e a OMC (Organização Mundial do Comércio) como principais responsáveis por políticas excludentes e de privatização. Nas ruas, como em El Alto e Cochabamba, e também nas urnas, como no Uruguai, temos bons exemplos de formas de lutas pelo direito a água e contra a privatização.

Outro dado importante é que muitas dessas lutas se caracterizam pelo confronto entre forças socioeconômicas e políticas que promovem a expansão das relações capitalistas, particularmente a transformação da água em mercadoria e as diferentes formas de resistência a essas forças. Além de estar ligado ao potencial de confronto militar em torno dos recursos hídricos. Alguns governos latino-americanos já estão reformulando suas estratégias militares para reagir a eventuais invasões que poderão querer ganhar o controle sobre a água doce da região. Essas diferentes formas de lutas pela água estão estreitamente relacionadas com o conflito pela governança democrática da água. A esse respeito, o crescimento das lutas pela água na América Latina constitui a expressão da batalha em curso pela democratização substantiva da sociedade.

Fontes:

https://www.fao.org.br/

http://aguasdemarco.ana.gov.br/2012

http://www.ipea.gov.br/

Última modificación: 23 de noviembre de 2012 a las 10:12
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