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12 de octubre 2018

Por Trabalho, Justiça e Vida, Grito dos/as Excluídos/as Continental realiza IVº edição no Brasil

Fecha de publicación: 19 octubre, 2018

No último dia 14 de outubro, culturas de diversos países se reuniram com suas danças, comidas típicas, experiências de vida e vivências no IV Grito dos/as Excluídos/as Continental, que teve como lema “Migrar, Resistir, Construir e Transformar”. O evento aconteceu na Quadra dos Bancários, no Centro de São Paulo.

Logo de início, o grupo folclórico Kantuta Bolívia animou o público com danças típicas da região boliviana. Em seguida, a cantora Nududuzo Siba subiu ao palco e fez a abertura das apresentações musicais. “Cada dia que estou no Brasil, construo minha família através da música. Estou aqui lutando pelo meu direito de ser humano”. Nududuzo é sul-africana e na condição de migrante – assim como milhares que estão em São Paulo – enfrenta diariamente vários problemas. A xenofobia é um deles. Mas é com seu canto que se defende. “Ver cada um de vocês sendo levados por mim através da música me faz livre”, afirmou antes de começar uma nova canção.

O Grito dos/as Excluídos/as Continental surgiu em 1995, se articulando em vários países, questionando e propondo a reflexão sobre a “descoberta da América”, em 12 de Outubro em 1492 por Cristóvão Colombo. O continente, reforça Luiz Bassegio, da secretaria executiva do Grito Continental, não foi descoberto, foi invadido. “Por isso, neste 12 de outubro nós fazemos essa memória e as consequências dela. Tantos povos migrando, muita desigualdade social e, aqui no Brasil, vivemos uma ameaça à democracia”, falou Bassegio.

O grupo Santa Mala, formado por três irmãs bolivianas, viu no rap o canal para expor sua situação. Jenny, Paula e Abigal injetam em suas letras denuncias sobre a xenofobia, o direito de ir e vir, e o machismo. A presença de meninas/mulheres tanto no rap e no hip-hop são poucas. “Justamente por isso é que procuramos fazer a diferença e dizer que nós também podemos estar nesse meio”, disse Abigail. Como muitos bolivianos/as, as meninas já passaram pelas fábricas de costura, mas hoje possuem uma pequena confecção, onde buscam o direito ao trabalho digno.

A dupla Mariana Maneta e William chamam ao palco o grupo Pânico Brutal. Hip-Hop politizado com letras marcantes demarcando os direitos e a cidadania que todos precisam exercer no cotidiano. “O trabalhador é massacrado. Mas vamos ter nossa vez”, recita um dos membros do grupo.

Enquanto os grupos se apresentam no palco, em outro espaço da Quadra dos Bancários, dezenas de crianças migrantes participam de várias atividades. De desenho livre a informações sobre o que é ser migrante, elas vão costurando suas histórias, contando através dos desenhos e do diálogo como são suas vidas.

As crianças : cidadania e ludicidade

Paulo Illes, coordenador do Centro de Direito e Cidadania do Imigrante (CDHIC), anuncia o “Gritinho”. Assim, a criançada entrou na quadra, fantasiada, colorida, iluminadas por suas próprias cores e pela purpurina, pois naquele momento era Carnaval. Para completar, como 12 de Outubro também é o Dia da Criança, receberam brinquedos, carros e bonecas produzidos pelo projeto Pontos de Luz, de Florianópolis.

O Grito das domésticas migrantes

Em São Paulo, esse é o destino de milhares de mulheres: o trabalho doméstico. Mas em que condições essas mulheres trabalham? Seus direitos trabalhistas são respeitados? Onde procurar ajuda legal? Foi com esse objetivo que o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município de São Paulo e o CDHIC realizaram uma Roda de Conversa para tratar destes assuntos.

O Grito pela Moradia

Quando chegam ao Brasil, um dos principais obstáculos dos migrantes para viver no país é onde morar. Olga Quiroga, chilena radicada no Brasil, se integra a outros movimentos que têm o mesmo objetivo, para defender o direito à moradia. Os representantes dos movimentos levaram para a Quadra, tendo como música de fundo o “Canto das Três Raças” as demandas da população migrante que luta para ter uma moradia digna. “Hoje muitos estão em ocupações, em prédios abandonados. Precisamos ter uma política urgente pra nosso povo. Somos um país só”, afirmou Olga.

A Bancada Ativista

Raquel Marques e Shirley Pankará, do povo indígena Pankará, de Pernambuco, participaram desta edição e levaram para o público a experiência da Bancada Ativista. A Bancada tem legalmente à frente a deputada Mônica Seixas, mas reúne no mandato nove ativistas e militantes que atuam em diferentes frentes. Raquel Marques explica que esta seria a forma mais democrática de representatividade de várias causas. “Temos representantes da causa indígena, da moradia, LGBTT, meio ambiente…Fizemos uma escolha minuciosa. Sabemos dos desafios, mas precisamos de um novo jeito de fazer política dentro dessa lógica partidária”, ressaltou Raquel.

De volta ao palco

Fabian Firmin e os Retirantes subiram ao palco e mesclaram música e teatro. Homenagens a grandes lutadores e lutadoras como Antônio Conselheiro, Maria Margarida Alves e tantos outros remeteram à migração interna no Brasil tendo os/as nordestinos/as como foco. Música, arte cênica e poesia resultaram em sintonia para retratar esta realidade ainda vigente nos dias de hoje.

Com canções autorais e outros clássicos do repertório latino-americano, a banda EntreLatinos lembrou que somos um povo só, irmanados na Pátria Grande e que o tempo precisa ser de resistência e coragem. Na sequência, veio o grupo Sandália de Couro, formado só por mulheres, trazendo o tradicional forró pé-de-serra, com sanfona, triângulo e zambuba.

Para finalizar, o Mistura Popular – como o próprio nome sugere – fez um repertório que mostrou a riqueza e a força do povo brasileiro diante de um momento em que a vida pede coragem. Num momento final, todos/as os/as integrantes que estavam presentes subiram ao palco e cantaram juntos.

Mistura Popular

Em mais esta edição, o Grito dos/as Excluídos/as Continental reafirma seu compromisso de luta, resistência e em favor de um país democrático, onde todas as pessoas independente de suas nacionalidades, crenças e etnias sejam respeitadas como cidadãs e cidadãos com papéis fundamentais dentro da sociedade.

Última modificación: 19 de octubre de 2018 a las 18:31
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