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Mobilização em solidariedade às rebeliões no mundo árabe e jornada contra o capitalismo acontecerão em março e outubro, respectivamente

Movimentos sociais definem duas datas de luta comum para 2011

Fecha de publicación: 11 febrero, 2011
Em um auditório da Universidade de Dakar lotado e em clima de festa pela queda iminente do ditador egípcio Hosni Mubarak, organizações populares de todo o mundo, reunidos na Assembleia dos Movimentos Sociais, definiram nesta quinta-feira (10) duas datas comuns de luta para 2011. No dia 20 de março, está prevista uma mobilização global em solidariedade justamente às rebeliões no mundo árabe. Em 12 de outubro, dia já vinculado à resistência indígena na América Latina, ocorrerá uma jornada global de luta contra o capitalismo.

“A Assembleia dos Movimentos Sociais convoca as forças e
atores populares de todos os países a desenvolver duas grandes
mobilizações, coordenadas a nível internacional, a participar na
emancipação e autodeterminação do povo e fortalecer a luta contra o
capitalismo”, diz um trecho da declaração lançada durante a assembleia.

O encontro teve início com a fala e a música de um grupo de
cinco cantores senegaleses de hip hop, que discursaram contra os
problemas do país, seu presidente e o capitalismo. Em seguida, cantaram
músicas de protesto, que foram ovacionadas pela plateia. Alguns minutos
depois, chegou ao auditório a notícia equivocada de que o ditador do
Egito havia caído, informação que foi corrigida posteriormente. Mesmo
assim, a saída de Mubarak em questão de tempo – outra esperança
frustrada, já que ele anunciou posteriormente sua permanência – foi
muito comemorada pelos movimentos sociais, que aplaudiam e gritavam
palavras de ordem em favor da população egípcia.

Um dos integrantes de organizações sociais egípcias presente
pediu a palavra para pedir o apoio imediato das forças populares de todo o mundo. “O que está acontecendo não é algo pequeno. É um verdadeiro
terremoto. Há exatamente seis dias, eu estava no meio da mobilização na
praça Tahrir, no Cairo. O povo mudará a cara feia das ditaduras árabes. O povo egípcio fez um buraco no imperialismo. Provou que é corajoso o
suficiente para pagar o preço de sua liberdade”.

Em seguida, o intelectual egípcio Samir Amin subiu ao púlpito
para afirmar que a mobilização no seu país é uma revolução democrática.
“O povo tem o direito de transformar o sistema econômico, político e
social e manter uma política internacional independente”, referindo-se
ao alinhamento de Mubarak com os interesses dos Estados Unidos.

 Declaração

Além de definir as
duas datas de mobilização global conjunta para 2011, a declaração da
Assembleia dos Movimentos Sociais enfatizou a luta dos povos de todos os continentes contra “o domínio do capital, oculto atrás de promessas
ilusórias de progresso econômico e estabilidade política”. O texto
lembra o 10º aniversário do Fórum Social Mundial e que, na última
década, as articulações entre os movimentos resultaram em alguns
avanços, especialmente na América Latina. No entanto, o documento chama a atenção que no período, também “testemunhamos a erupção de uma crise
sistêmica que se expandiu para crises alimentar, ambiental, financeira e econômica, o que têm levado para um aumento da migração e do
deslocamento forçado, da exploração, do nível das dívidas e das
desigualdades sociais”.

Nesse sentido, a
declaração denuncia o papel desempenhado pelos diversos atores do
sistema, como bancos, grande mídia, instituições internacionais e
transnacionais. Em relação a essas últimas, o texto alerta para a
privatização de serviços públicos e bens comuns, como a água, o ar, a
terra, as sementes e os recursos minerais. “As corporações
transnacionais promovem guerras por meio de seus contratos com
corporações privadas e mercenárias; suas práticas extrativistas põem em
perigo a vida e a natureza, expropriando nossa terra e desenvolvendo
sementes e alimentos geneticamente modificados, tirando do povo o
direito à alimentação e destruindo a biodiversidade”.

Outro ponto que ganhou destaque na declaração da Assembleia
dos Movimentos Sociais foi o tema do clima e das preparações para as
cúpulas de Durban (COP-17, a ser realizada em Durban, na África do Sul,
no fim de 2011) e Rio + 20, que acontecerá no Rio de Janeiro em maio de
2012. “A mudança climática é um produto do sistema capitalista de
produção, distribuição e consumo. As corporações transnacionais
instituições financeiras internacionais e governos que os servem não
querem reduzir as emissões. Denunciados o ‘capitalismo verde’ e
rechaçamos as falsas soluções para a crise climática, como os
agrocombustíveis, os transgênicos e mecanismos de mercado de carbono
como os REDD, que iludem os pobres com falsas promessas de progresso
enquanto se privatiza ou se transforma em commodities as florestas e
territórios onde essa população tem vivido por milhares de anos”.

Quando o microfone foi disponibilizado para a participação da
plateia, um dos que falaram foi Pablo Solón, embaixador da Bolívia na
Organização das Nações Unidas (ONU). Ele garantiu aos movimentos sociais que levará a debate no organismo as conclusões incluídas na declaração
da Assembleia dos Movimentos Sociais.

Última modificación: 30 de mayo de 2011 a las 15:37
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