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Mobilizações no caminho a Durban

La Via Campesina: chamado a Durban

Fecha de publicación: 9 septiembre, 2011

O Movimento internacional de camponeses, La Via Campesina, e seu membro na África do Sul, o Movimento dos Sem Terra (Landless Peoples’ Movement), estão a mobilizar-se para a 17a Conferência das Partes (COP17), da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a ter lugar em Durban, na África do Sul , de 28 Novembro a 9 dezembro de 2011.

Camponeses, camponesas e povos indígenas têm milhares de soluções para enfrentar as mudanças climáticas!

A Via Campesina convida a todos os movimentos sociais e todas as pessoas a se mobilizarem em todo mundo.

Caravanas de camponeses Africanos vindo de Moçambique, Tanzânia, Zimbabwe entre outros irão à Durban para se juntar aos outros camponeses e movimentos sociais de todo o mundo para exigir justiça climática.

Camponesas africanas, membros da Via Campesina, participarão em Durban na 2a. Assembleia das Mulheres Rurais da África Austral de 30 Novembro a 2 de Dezembro, em Durban (coorganizada pela Via Campesina África 1, TCOE, Women on Farms Project, Lamosa, ESAFF, UNAC, União Nacional de Camponeses da Namíbia, entre outros).

A Via Campesina também vai participar do Dia da Acção Global no dia 03 de Dezembro, juntamente com milhares de outros activistas, para exigir justiça climática.

A Via Campesina e outros grupos Africanos virados à alimentação e à agricultura em África convidam a todos os movimentos, aliados e activistas para um dia especial de Mobilização pela Agroecologia e Soberania Alimentar no dia 5 de Dezembro, em Durban e em todo o mundo (coorganizado conjuntamente com o ESAFF Regional, ESAFF Uganda, ESAFF Zimbabwe, ROPPA, TCOE, SPP, entre outros).

As negociações climáticas estão sendo transformadas num espaço de negócios.

Na COP16, em Cancun, México, a maioria dos governos do mundo, com a notável excepção da Bolívia, reuniu-se não para tratar de assuntos ligados ao clima mas para fazer negócios com as corporações transnacionais que enveredam por falsas soluções para a problemática das mudanças climáticas como a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) e outros mecanismos de mercado de carbono, agrocombustíveis e transgênicos. Eles transformaram as negociações climáticas num enorme espaço de negócios.

Os nossos governos aceitaram um Quadro “business as usual – negócio como de costume” que condena a África e o Sul da Ásia à incineração virtual, em que as primeiríssimas vítimas são camponeses e camponesas desses dois continentes, uma vez que cria elevação da temperatura, cria um ambiente ainda mais hostil para as culturas, para os animais e para os seres humanos. A maioria dos governos ignoraram os Princípios do Acordo dos povos, de Cochabamba, que fornece um quadro claro para abordar seriamente a questão do aquecimento global e da protecção da Mãe Terra.

No âmbito deste Quadro, os países desenvolvidos e as corporações poluidoras historicamente os responsáveis ​​pela maior parte das emissões de gases com efeito estufa, permitiram todos os truques possíveis para evitar a redução das suas próprias emissões de gases com efeito estufa. Por exemplo, o mercado de carbono e os mecanismos de compensação de carbono permitem que países e empresas continuem a poluir e consumir como de costume, desde que paguem pequenas quantias de dinheiro para ajudar os pobres dos países em desenvolvimento e reduzir suas emissões. O que realmente ocorre é que o lucro destas empresas dobra: por continuar a contaminar e por vender soluções falsas. Enquanto isso, a REDD despoja pessoas pobres de muitos dos seus direitos de usar múltiplas áreas florestais comunitárias, mesmo que novos açambarcadores (de terra) surjam para consolidar grandes áreas de camponeses, a fim de expulsa-los com vista a fazer o tráfico em créditos de carbono.

Sabemos que as fontes chaves da emissão de gases que alteram o clima são do sistema alimentar baseado na agricultura industria para a exportação e para agrocombustíveis, um sistema de transporte baseados em automóveis particulares em vez de transportes públicos, e as indústrias poluidoras das corporações transnacionais. Sem compromissos reais e exequíveis para transformar este sistema, não há esperança para evitar a incineração virtual de nossas terras de cultivo e a capacidade de alimentar o mundo.

Nós somos camponeses, pequenos proprietários e agricultores familiares, que hoje produzem a grande maioria dos alimentos consumidos no planeta. Nós e os alimentos que produzimos estamos a ser colocados em perigo, com a subida das temperaturas, com épocas de plantio imprevisíveis e cada vez mais secas, furacões e monções. No entanto, nós também oferecemos o mais importante, soluções para a resolução dos problemas causados pelas mudanças climáticas, soluções claras e com eficiência cientificamente comprovada, através da produção agroecológica de alimentos por pequenos agricultores sob o paradigma da Soberania Alimentar.

O sistema alimentar global liberta actualmente pelo menos 44% das emissões de gases de efeito estufa, por meio de transporte de alimentos à longa distância – quando estes podiam ter sido cultivados localmente, pelo uso excessivo do petróleo e insumos agro-químicos à base de petróleo, pela monocultura e pelo desmatamento para o plantio industrial que chamamos de “desertos verdes”.

Podemos reduzir drasticamente ou até eliminar estas emissões através da transformação do sistema alimentar com base na soberania alimentar, ou seja produzindo localmente para consumo local, uma produção variada baseada nas familias e comunidades camponesas, e mediante práticas sustentáveis.

A agroecologia não está à venda!

Rejeitamos qualquer tentativa de se alargar o mercado de carbono e os mecanismos de compensação de REDD para o carbono dos solo, ainda que seja o Banco Mundial que aparece como que a apoiar a agroecologia praticada pelos os pequenos agricultores ou a “Climate Smart Agriculture – agricultura climática inteligente ,” porque:

  • Tal como no caso de REDD para as florestas, o carbono no nosso solo se tornará essencialmente propriedade de empresas poluidoras no Norte. Isto corresponde à venda e privatização do nosso carbono. “O nosso carbono não está à venda”!!!
  • O mercado do carbono no solo será apenas mais um outro espaço de especulação financeira, e enquanto os camponeses recebem misérias, os especuladores somarão lucros reais.
  • Esta é apenas uma outra forma das indústrias e países poluentes esquivarem-se das reduções reais de emissões.
  • É também uma forma de desviar a atenção das grandes emissões de carbono produzidas pela agricultura industrial e o agronegócio, especialmente no Norte, e colocar o fardo nas costas de camponeses do Sul pela redução das emissões, enquanto nada é feito sobre as emissões de dióxido de carbono por parte da agricultura industrial.
  • Se nós como camponeses assinarmos o acordo de carbono do solo, perdemos autonomia e controlo sobre o nosso sistema agrícola. Alguns burocratas no outro lado do mundo, que não sabem nada sobre nossos solos, chuvas, declives, sistemas alimentares locais, economia familiar, etc., vão decidir que práticas devemos ou não utilizar.
  • Agroecologia proporciona uma riqueza de benefícios para o ambiente e para a agricultura de subsistência, mas ao reduzir o valor das práticas agro-ecológicas ao valor do carbono sequestrado, não apenas estas outras vantagens são desvalorizadas como também pode criar incentivos perversos de alterar as práticas agro-ecológicas (e abrir a porta para tecnologias como OGMs) para apenas maximizar o carbono em vez de fornecer todas as outras vantagens da agroecologia.
  • Isto é inseparável da tendência neoliberal para converter absolutamente tudo (terra, ar, biodiversidade, cultura, genes, carbono, etc.) em capital, que, por sua vez, pode ser colocado em algum tipo de mercado especulativo.
  • Se o actual baixo valor do carbono no solo tivesse que subir no mercado especulativo, isto poderia gerar novas usurpações de terra para cobranças de créditos de carbono, visto que a consolidação de terra é um pré-requisito para tornar os créditos de carbono do solo rentáveis.

Como a agricultura camponesa deveria ser apoiada por Políticas Públicas

  • Apoiar programas de formação de camponês-para-camponês orientados por organizações de camponeses
  • Apoiar as escolas de formação em agroecologia pertencentes organizações de camponeses
  • Acabar com todos os subsídios, abertos e ocultos, à agricultura industrial
  • Banir os OGMs e os perigosos produtos químicos agrícolas
  • Dar crédito de produção para pequenos agricultores que produzem de forma agro-ecológica
  • Orientar a área do governo que zela pelo procurement nos hospitais, nas escolas, etc., a comprar alimentos ecológicos a preços justos praticados por camponeses.
  • Apoiar o mercado de agricultores ecológicos para venda directa ao consumidor
  • Transformar os curricula da agronomia para enfatizar a agroecologia e a metodologia de camponês-para-camponês
  • Criar incentivos de preços justos para a comida ecológica localmente produzida
  • Etc.

Comprometimentos da Via Campesina

Enquanto fazemos muitas exigências legítimas e urgentes sobre os governos para encarar de forma séria as alterações climáticas,vamos continuar a construir agroecologia e Soberania Alimentar desde a base. Comprometemo-nos a tomar as seguintes medidas concretas:

1. continuar a fortalecer o movimento da agroecologia a nível de base para adaptação à evolução das mudanças climáticas.
2. trabalhar para “manter o carbono no solo e em árvores” nas áreas sob nosso controlo, pela promoção agro-florestal, plantação de árvores, agroecologia, lutando contra a usurpação de terras para mineração e plantações industriais.
3. pressionar os governos a todos os níveis para adoptar a soberania alimentar como a solução para a mudança de clima.
4. lutar contra a inclusão da agricultura camponesa em mecanismos de financiamento do carbono.
5. continuar a nossa luta para que haja reforma agrária e distribuição de terra para as familias camponesas, e contra todo tipo de usurpação de terras.
6. construir uma poderosa voz do pequeno proprietário e camponês, que estará presente com os outros sectores da sociedade civil na COP-17 em Durban, e no Rio +20 no Brasil, com a mensagem de que somos contra as falsas soluções para as mudanças climáticas e exigimos a adopção dos Princípios de Cochabamba. Vamos insistir que a agricultura sustentável de pequena escala e a soberania alimentar são as mais importantes soluções para as mudanças climáticas.

Não à Usurpação de terras!

O Nosso Carbono Não está à venda!

A Agricultura camponesa Não está à venda!

A Produção Agro-ecológica por pequenos agricultores arrefece o Planeta!

Globalizemos a Luta! Globalizemos a Esperança!

Última modificación: 5 de diciembre de 2011 a las 22:24
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