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A vida em primeiro lugar!

14º Encontro Nacional dos Articuladores e Articuladoras do Grito dos Excluídos/as (Brasil)

Fecha de publicación: 15 abril, 2012

Entre os dias 13 a 15 de abril aconteceu, no Centro de Formação Sagrada Família, em Ipiranga, São Paulo, o 14º Encontro Nacional de Articuladoras/es do Grito dos Excluídos, com a presença de mais de quarenta representantes de 17 Estados brasileiros

14º Encontro Nacional dos Articuladores e Articuladoras
do Grito dos Excluídos/as (Brasil)

Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!
A vida em primeiro lugar!

Secretaria Grito dos Excluídos/as Continental
Minga Informativa dos Movimentos Sociais

Entre os dias 13 a 15 de abril aconteceu, no Centro de Formação Sagrada Família, em Ipiranga, São Paulo, o 14º Encontro Nacional de Articuladoras/es do Grito dos Excluídos, com a presença de mais de quarenta representantes de 17 Estados brasileiros: Amazonas, Roraima, Maranhão, Pará, Ceará, Piauí, Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Brasília, Paraíba e Paraná. Membros de pastorais sociais, sindicatos e movimentos sociais integram o grupo que, durante três dias, debateu sobre as estratégias e os passos a dar para o fortalecimento do Grito dos Excluídos no Brasil, em vistas da ação do 7 de setembro e para além dessa data.

O Grito dos Excluídos nasceu em 1995 sob o lema “A vida em primeiro lugar!”. Desde aquele ano, quando o país vivia o auge do neoliberalismo, até hoje, em que o país vive um período de alto crescimento econômico de tipo desenvolvimentista”, mas com persistência das causas históricas de desigualdade, o Grito tem percorrido uma longa caminhada desde o coração das lutas e demandas do povo, denunciando a exclusão e anunciando a necessidade de mudanças profundas na sociedade, na economia, na política…

Esse ano, o lema do Grito expressa a demanda por uma profunda transformação do Estado brasileiro. O fato de que o Estado seja a principal alavanca do atual processo de crescimento econômico não significa que ele tenha mudado para ser um Estado a serviço do povo, para além dos programas assistencialistas implementados pelo governo que, se por um lado são necessários para o alívio das desigualdades mais gritantes, por outro não representam uma verdadeira mudança das estruturas históricas de poder, exclusão e dominação na sociedade brasileira. Assim, o lema do Grito em 2012 pauta essa necessidade urgente de mudanças nas prioridades do Estado: “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”.

Para Rosilene Wansetto, da Rede Jubileu Sul e integrante da coordenação do Grito: “O Grito tem uma grande importância aquí no Brasil porque é um dos movimentos que se mantém firme nos objetivos de mobilizar, articular e ser um espaço de protagonismo 'dos’ excluídos, diferentemente de um espaço 'para’ os excluídos. O desafio esse ano é continuar defendendo os direitos sociais ameaçados e debater a questão do Estado brasileiro, que não está a serviço do povo mas das grandes corporações e grandes capitais”, indicou.

Na sociedade brasileira, secularmente a estrutura política e econômica privilegiou o latifúndio, a agroexportação, o patrimonialismo e formas de exploração do trabalho como a escravidão. No fundamental, essas características se mantém ainda hoje, determinando grande parte da realidade do país e das lutas que o povo tem que dar para conquistar um mínimo de bem estar e de paz social. Nesse sentido, continua Rosilene:

“Quando a gente fala em direitos, estamos falando de um modelo que privilegia os direitos econômicos dos grandes e não os direitos sociais dos pequenos; por exemplo, o governo privilegia o pagamento da dívida pública (externa e interna) que em 2011 superou os 3 trilhões de reais, favorecendo aos banqueiros, enquanto promove recortes no Orçamento Geral da União por 50 bilhões de reais, que afetam os direitos sociais da maioria, como saúde e educação. O Grito busca denunciar esse modelo que prejudica o povo enquanto privilegia às grandes corporações; o Grito busca convocar a população, de modo especial aos excluídos, para tomar parte neste debate, excluídos urbanos e rurais, como migrantes, pessoas em situação de rua, crianças, mulheres, indígenas, quilombolas, prostitutas, desempregados, jovens, indígenas, LGBT, enfim toda pessoa e/o grupo que por um motivo ou por outro sofre discriminação e exclusão”.

O Grito tem que ir à busca das lutas do povo, não as lutas do povo vir pro Grito. O Grito deve estar ali onde estão nascendo as lutas e as transformações que, desde abaixo, anunciam um outro mundo e uma outra sociedade. Assim, para Luciene Sales, presidente do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), movimento com sede em São Luís (Maranhão) mas de abrangência nacional, a importância do Grito é “...chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo na nossa realidade, como a perda dos territórios, a perda do pescado, a perda dos militantes, e por parte de nossos governantes, a falta de reconhecimento de nossos direitos, a falta de investimentos para a pesca artesanal, a falta de reconhecimento das doenças ocupacionais, de tudo aquilo que afeta aos mais pobres em todos os cantos do Brasil. Assim, o Grito é um acordar da sociedade para a organização popular pescadora, quilombola, camponesa, indígena, operária, enfim, da massa do povo”, afirmou a companheira.

Assim, de acordo com Luciene: “As potencialidades do Grito estão em resgatar os excluídos, para construir uma sociedade como a que nós queremos, e não como o governo a impõe: uma sociedade igualitária. O Grito é uma forma de mostrar a nossa indignação e dizer aos governantes que nós estamos aqui, que estamos atentos aos acontecimentos, que o direito de bem-viver não é um favor de parte dos governos se não um direito nosso.”

Durante o 14º Encontro Nacional de Articuladores, foram discutidos também os desafios que o Grito enfrenta para consolidar sua presença e continuar alimentando as lutas por transformação social, mantendo sua pedagogia de dar voz e vez aos excluídos e sua metodologia de unidade na ação. Com relação aos desafios do Grito, outro dos participantes do Encontro, o cearense Francisco Nonato do Nascimento Filho, da Assembleia Popular, os principais desafios do Grito são: “Trazer de fato aqueles gritos que são tantos que não se consegue ouvir, os gritos dos trabalhadores, da juventude, os gritos de transformação social, tendo em vista que vivemos numa sociedade do roubo da fala, do grito, onde a população não pode se manifestar porque é reprimida, vem a polícia e prende, dessa forma continua se perpetuando o Estado repressivo em relações de violência de fato. Nesse sentido, um dos principais desafios do Grito é pensar outro projeto de sociedade, outras relações em todos os campos da vida, e o povo brasileiro se sentir como um povo soberano”.

Durante o Encontro, para além dos debates políticos de fundo e da confraternização, os articuladores e articuladoras do Grito concordaram ao redor de sugestões e encaminhamentos para a realização e animação dos Gritos locais, como dar ênfase à pedagogia do Grito, repensar as questões organizativa e comunicacional, dentre outros, para que o Grito 2012 (no próximo 7 de setembro), mantenha viva a palavra dos excluídos; nesse ano, o Grito chega a sua edição número 18 na história e poder-se-ia afirmar que ele já forma parte da luta e do imaginário popular na esperança de construir um Brasil verdadeiramente democrático, justo, participativo, cujas imensas riquezas sirvam para construir a felicidade do povo, o “bem-viver” com respeito a Mãe Terra, superando o atual capitalismo concentrador de riqueza e poder que tanto sofrimento impõe a grandes parcelas da população.

Última modificación: 23 de noviembre de 2012 a las 10:10
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